TURISMO - CRÍTICAS E OPINIÕES

Artigos elaborados pelo Professor do curso de Turismo da UFPB BRUNO DANTAS MUNIZ DE BRITO.

sábado, junho 10, 2006

LAZER E ANIMAÇÃO E TURISMO E LAZER - Doutrina de curso


Desde o momento em que o homem passou a utilizar seu tempo livre em beneficio próprio (seja ele espiritual, físico ou social) o desenvolvimento do conceito de lazer foi se expandindo e buscando abranger um imenso leque de possibilidades que estão, até hoje, em plena atividade de mutação, conduzido pelas novas demandas impostas pelo novo modo de viver da humanidade. No século XVIII, período que compreende a Revolução Industrial, as altas jornadas de trabalho, a exploração dos operários e a falta de atenção com o tempo socialmente utilizado pelo trabalhador proporcionaram um movimento de caráter sindical forte e organizado. Entre as diversas reivindicações feitas pelos trabalhadores uma destacava-se em especial, que era o direito ao tempo livre e ao descanso.
Nesse momento surge o lazer como um elemento essencial à constituição física, intelectual e psicológica do homem, tendo no divertimento (um composto do lazer que tem como principal objetivo suprimir o tédio) um elo importante no aproveitamento do tempo livre. A palavra lazer remete a um universo complexo de significações, onde se mesclam interpretações da moral, da religião, da filosofia e do senso comum. Joffre Dumazedier define lazer como “um conjunto de ocupações às quais o individuo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais”.
Os lazeres classificam-se em dois modos: Lazer ativo e passivo. O lazer ativo é aquele no qual o indivíduo participa física e psicologicamente (jogos infantis, individuais, esportes em grupos, atividades musicais, artes e hobbies e ainda atividades de vaigem). Já o lazer passivo configura-se como o indivíduo visto no papel de receptor, participando psicologicamente (com as atividades culturais). Dentro dessa proposta existem as dinâmicas de grupo que buscam criar uma integração entre esses, oferecendo uma resposta às necessidades lúdicas e terapêuticas nas relações pessoais e grupais. Tal trabalho proporciona momentos de espontaneidade, liberdade e diversão sadia, bem como uma série de benefícios que se encaixam e abraçam perfeitamente o campo das relações humanas, como: integrar o pessoal ao meio social; desenvolver o conhecimento mútuo e a participação grupal; desenvolver ocupação para o tempo ocioso; adquirir hábitos de relações interpessoais; descobrir atividades lúdicas e sistemas de valores entre as pessoas, entre outros benefícios.
Uma nova civilização está emergindo em nossa sociedade. Essa nova civilização traz consigo novos estilos de família; novos modos de trabalhar, amar e viver; uma nova economia; novos conflitos políticos e, em última análise, também uma profunda alteração da consciência do homem. Fragmentos dessa nova civilização já existem hoje. Milhões de homens já estão ordenando sua vida pelos ritmos de amanhã. Outros, aterrorizados com o futuro, se desesperam e futilmente refugiam-se no passado, procurando restaurar aquele velho mundo que lhes dá segurança.
O turismo, por garantir as condições essenciais dessa procura, corresponde, então, a uma necessidade individual e social profunda, acentuada, modernamente, pelo crescente grau de urbanização da vida coletiva e pela monotonia do quotidiano. Sendo, por excelência, uma atividade orientada para satisfação das necessidades do homem na sua integridade física, mental e espiritual, os objetivos do turismo não podem ser estabelecidos sem a consideração do homem e sem a humanização das coisas.
As recentes transformações da sociedade determinam o seguinte cenário de atitudes perante o turismo: a diminuição da importância atribuída aos aspectos puramente econômicos das coisas, surgindo assim novos campos de interesse e novas atividades; o aumento da curiosidade pelos valores não materiais tais como: saúde, ambiente, natureza, saber, cultura; e a necessidade do indivíduo se personalizar, libertando-se das normas e dos constrangimentos sociais.
O fim da década de 90 confirma a tendência do crescimento exponencial das indústrias do entretenimento e do turismo. Dos segmentos mais importantes do planeta, 40% está envolvido com a produção de hardware e software e 60% com a mídia e o setor de entretenimento. Os gurus da economia, da administração e da informática não se cansam de produzir textos reinterpretando a conjuntura, que se atualiza a cada momento. O especialista Pepe Escobar bem denominou o setor de "infortainment", uma mescla de novas tecnologias direcionadas ao entretenimento.
Nesse sentido é que se vê a animação turística como um elemento inserido e importante para o contexto social. O conceito e os modos de animação turística foram, em sua origem, objetos de muitas reflexões, culminando com a definição de Fernando de la Riva, primeiro diretor de animação turística de Madri, conforme citado por Marília Ansarah, para quem animação turística é o conjunto de ações e técnicas que se destinam a motivar, promover e facilitar a maior e mais ativa participação do turista no desfrute e aproveitamento de seu tempo turístico, em todos os níveis e dimensões ao qual se aplica. Na área de animação surgiram especializações bem especificas, destacando-se os seguintes tipos de animadores: o congressual, o turístico, o cultural, ecológico, recreacional, o agente cultural, o monitor, entre outros. Não importa a denominação, já que suas características se assemelham, exigindo uma polivalência diante do fato cultural e do setor determinado.
O animador turístico cultural deve ser varias pessoas em uma só, caracterizando-se por ter uma aguda consciência de valores culturais e uma mente múltipla e holística, visto como uma multidão em si mesmo, desempenhando papéis de líder, diretor e condutor, auxiliado por técnicos na atuação junto a grandes grupos. A finalidade da animação turística cultural é envolver o turista de tal maneira que ele possa atender sua necessidade de viver algo diferente, um sonho, até mesmo uma ilusão, já que muitas vezes o animador turístico procura apresentar para os visitantes algo atípico daquela localidade. Muitos teóricos criticam o papel desse profissional por achar que a vendagem dessa animação turística apresenta-se (muitas vezes) fora da realidade e do contexto cultural local. Sobretudo quando se trata de utilizar grupos folclóricos para atrair a atenção dos visitantes. Esses grupos folclóricos, por exemplo, constituem-se através dos tempos, criados com o propósito que, na maioria deles, atendem a uma crença ou festa típica popular, todos com um certo tempo para se apresentar durante o ano, seja no ciclo de festas natalinas, seja no ciclo de festas juninas. Partindo desse principio, o animador cultural conduz os grupos para se apresentarem para os turistas durante o ano todo, remodelando seus trajes, suas músicas e orientando-os para que convidem os visitantes a participar do folguedo em questão. É nesse momento que o animador turístico atua como um transformador da cultural e dos costumes locais, na perspectiva de que induz o folguedo local e se adequar ao turismo, formatando um “produto”de consumo turístico, de forma que privilegiam a presença e a experiência do turista em detrimento da cultural típica local. Exemplo como esse é comum de ser visto em diversos destinos pelo mundo, onde a ótica do lazer é apreciada também como o somatório dos valores culturais locais, em uma pequena parcela de apresentação para o público turista.
Os trabalhos de animação turística vêm sendo inseridos frequentemente nos eventos, como uma forma de descontrair os participantes, atuando como um convite a embarcar numa experiência lúdica, rápida e marcante. As atividades realizadas visam a aproximação dos visitantes (ou participantes) com o contexto social ou cultural marcante na região. O pressuposto básico da animação para os eventos é desenvolver temas para facilitar a aproximação entre pessoas de diferentes regiões, estados e nações. É importante ponderar que a atividade é sempre elaborada de acordo com a clientela, procurando sempre por atividades que proporcionem o bem-estar de seus participantes. Atividades que proporcionem situações constrangedoras devem ser sumariamente evitadas. Nesse ínterim, a animação turística deve ser vista como o conjunto de atividades que objetiva humanizar as viagens, oferecendo ao turista a possibilidade de participação das férias de forma ativa, seja nos centros de férias, no meio do transporte de longo curso ou nos eventos que contemple o caráter turístico.
O escopo da animação turística surge da crescente preocupação do turista em preencher de modo ativo todo seu tempo disponível, já que nos casos de permanência longa no destino o turista espera contar com estruturas que lhe permitam passar dias agradáveis. O campo de atuação do animador turístico é muito vasto, indo desde o próprio transporte em si (navios, ônibus de turismo) até os grandes hotéis e centros de convenções. Este animador caracteriza-se por ser aquela pessoa que tem contato direto e estrito com o público participante e com as atividades lúdicas desenvolvidas. Além disso, seu papel é de auxiliar no planejamento das atividades, operacionalizar as mesmas, ter espírito de liderança, proporcionar a integração entre o grupo, criar situações positivas, zelar pelas condições de execução da atividade, entre outras atribuições.
Em todo seu universo, o turismo e o lazer estarão sempre intimamente ligados, sendo o primeiro o modo de utilização do tempo gerado pelo segundo. O aspecto que vale ser lembrado como essencial nesse contexto é o fato da sociedade local participar tanto do expoente de animação local quanto o mesmo voltado para o turismo. Em ambas as circunstâncias deve-se compreender que os elementos de lazer que cercam o turismo podem ser formulados e instalados tanto para turistas quanto para os moradores. Se tal elemento apresenta-se importante para o morador local, este também o será para o turista. Do ponto de vista central deste pensamento, o autóctone e o visitante trabalham cada um em sua área nativa, no seu cotidiano e que, visto desse ângulo, ambos também buscam no tempo livre uma forma de crescimento pessoal, associados pelo mesmo fim (que é o lazer), mas, sob óticas diferentes (visitados e visitantes). Essa diferenciação também é capaz de produzir uma segregação social e do lazer, de forma que muito do que se faz para os visitantes não esta acessível aos moradores locais. Entre os fatores dessa segregação estão a renda ou a condição socioeconômica, a escolaridade, a condição sociossexual e o local de moradia.
O lazer engloba três grandes grupos de atividades e de campos de negócios: a) baseado na mídia e desenvolvido dentro de casa (audiência de radio e tevê, discos, leitura de livros, jornais e revistas, videogame, computador e internet); b) baseado na relação com os outros e com o ambiente da própria cidade (freqüência a parques, academias, teatros, cinemas, bares e restaurantes e shopping centers); c) baseado na viagem e na hospedagem fora de casa. Sendo assim, o lazer turístico deve ser entendido como aquele que envolve um deslocamento físico da cidade onde o individuo mora, qual o seu perfil e que práticas de lazer englobam. Diante disso, existem vários pontos de vista a cerca das experiências vividas nas viagens de lazer. Do ponto de vista cultural, é uma das praticas de lazer mais desejadas e mais ricas (já que se incluem a práticas de vários tipos de lazer, acompanhado de uma mudança de cenário, de ritmo e de estilo de vida). Do ponto de vista da prática social o turismo não é o mais relevante, porque outras práticas de lazer dentro da casa e da cidade alcançam índices superiores aos de viagens efetuadas. Já do ponto de vista econômico as práticas turísticas de lazer são tão importantes que ganharam, por vezes, mais visibilidade que o próprio tempo de lazer. Por fim, do ponto de vista político, igualmente, o peso do lazer turístico é maior do que o lazer em si, em razão (certamente) de sua maior expressão econômica.Por fim, a organização do trabalho permite que o trabalhador possa desfrutar de horas e períodos de ócio, aqui intitulados como tempo livre. Desta forma, objetivou-se analisar e discutir a relação existente entre o lazer e o turismo, contrastando-os com a sua importância na vida do indivíduo contemporâneo, para o seu desenvolvimento cultural, social e para o alívio das tensões originadas pela rotina que segue. Concluiu-se que o turismo está intimamente ligado ao lazer, ou seja, está inserido no conceito de lazer desses visitantes, logo o turismo implica mais uma opção para preencher o tempo livre, propiciando qualidade de vida ao turista.

LEGISLAÇÃO E ÉTICA DO TURISMO E DA HOTELARIA - Doutrina de curso

Como todas as outras atividades, o turismo necessita de uma legislação, a qual prevê todas as obrigações das instituições, empresas, dos profissionais e da sociedade perante os serviços prestados por estes enquanto à forma de lazer para, com esta legislação, tornar a ação turística mais organizada, oferecendo aos visitantes uma infra-estrutura básica e turística em ótimas condições, com qualidade, segurança e conforto, atraindo assim muito mais turistas e ordenando a atividade.
Essas leis garantem segurança, tanto ao turismo quanto aos turistas, para que estes tenham um intenso relacionamento e que a funcionalidade dos serviços possa ser garantida com qualidade. As leis, resoluções e decretos promulgados de interesse do turismo têm como finalidade estabelecer normas a serem seguidas para um melhor aproveitamento das atividades e dos serviços prestados à sociedade em toda sua extensão, sejam visitantes os usuários desses serviços, sejam os visitados aqueles que convivem e trabalham diariamente com o turismo.
Toda e qualquer sociedade necessita de regras para uma melhor organização. O Turismo considerado “um movimento de pessoas” exige uma regulamentação de suas leis para que haja um controle das atitudes humanas perante os patrimônios turísticos como praias, monumentos históricos, o meio ambiente e as empresas que exploram a atividade. Partindo desse ponto foram promulgadas leis que tendem a beneficiar tanto os turistas assegurando seus direitos, bem como o funcionamento do turismo e dos agentes envolvidos no setor.
A sociedade contemporânea vê com interesse e otimismo a regulamentação das empresas turísticas, como um investimento maior nas áreas de serviço, atendimento e infra-estrutura para o turista. O consumo do produto turístico e a obtenção de lucros não são mais os pontos finais em que a atividade procura se basear, assim, da-se muita importância para as necessidades básicas de que o turista precisa como informações turísticas, variados meios de hospedagem, transportes, restaurantes, um bom agenciamento e, sobre tudo a proteção do meio ambiente em todos as suas condições autônomas.
Fazer com que os turistas e a população anfitriã se entendam para um melhor aproveitamento do potencial turístico é, em certos casos, um desafio. Tanto que através de uma legislação e fiscalização rigorosas pode-se conseguir um maior respeito aos monumentos históricos e demais atrativos turísticos, conservando-os e contribuindo para sua valorização.
Estas leis estão ordenadas cronologicamente, de forma que a partir delas podemos perceber como a preocupação com o meio ambiente aliado à procura e expansão da atividade turística fez surgir de forma urgente e imprescindível leis que zelassem pela natureza e, ao mesmo tempo, desenvolvessem as comunidades, atentando para a preservação da natureza. Como exemplo de legislação voltada para a preservação do meio ambiente tem-se o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), que se constitui num conjunto de normas e definições voltadas especificamente para a defesa do meio ambiente e das Unidades de Conservação. O seu conteúdo prevê desde a forma a qual se define uma UC e sua constituição até a exploração dos recursos naturais de forma sustentável. Nesse ponto se inclui o turismo, na medida em que sua exploração ocorre na esfera de apreciação e contemplação da natureza, contribuindo para a disseminação da importância de se preservar e de manter o patrimônio ambiental para as futuras gerações.
O respeito a legislação e a conduta ética profissional é dever indissociável de cada cidadão e, a partir daí, buscar seguir está conduta que se adeque a sua classe profissional é uma necessidade na atual sociedade. Todas as profissões possuem grande valor social. O que pode variar em cada uma é a sua forma de atuação e a natureza qualitativa dos serviços perante as necessidades humanas. Saúde, educação e lazer são grandes objetivos que necessitam da atuação de um profissional ético e preocupado com o seu semelhante.
É possível diferenciar ética e moral de vários modos:
1. Ética é princípio, moral são aspectos de condutas específicas;
2. Ética é permanente, moral é temporal;
3. Ética é universal, moral é cultural;
4. Ética é regra, moral é conduta da regra;
5. Ética é teoria, moral é prática.

Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, ÉTICA é "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto”. A ética é uma característica inerente a toda ação humana e, por esta razão, é um elemento vital na produção da realidade social. Todo homem possui um senso ético, uma espécie de "consciência moral", estando constantemente avaliando e julgando suas ações para saber se são boas ou más, certas ou erradas, justas ou injustas. Existem sempre comportamentos humanos classificáveis sob a ótica do certo e errado, do bem e do mal. Embora relacionadas com o agir individual, essas classificações sempre têm relação com as matrizes culturais que prevalecem em determinadas sociedades e contextos históricos. A ética está relacionada à opção, ao desejo de realizar a vida, mantendo com os outros relações justas e aceitáveis. Via de regra está fundamentada nas idéias de bem e virtude, enquanto valores perseguidos por todo ser humano e cujo alcance se traduz numa existência plena e feliz.
O turismo é uma área de atuação profissional relativamente nova, que tem na OMT (Organização Mundial do Turismo) seu suporte de apoio teórico-político e como entidade que busca agregar valores especificos e mais voltados para a atividade e todos aqueles que a ela se ligam, seja direta ou indiretamente. Com esse propósito foi criado o Código Mundial de Ética do Turismo, elaborado a partir de diversas declarações e códigos profissionais semelhantes que tentaram regulamentar e assegurar as constantes mudanças pelas quais passa o turismo mundial.
O Código Mundial de Ética no Turismo começou a ser elaborado em 1997, em Istambul, onde os Órgãos representativos das Nações Unidas e da OMT reuniram-se para dar início ao texto que iria regulamentar de forma ética o turismo mundial. Tal código constitui-se de dez artigos, onde se define o papel do governo, dos operadores turísticos, promotores, agentes de viagens, empregados e ou próprios turistas. O comitê que presidiu a formação deste código constitui-se por representantes de cada continente do planeta.
Todos os procedimentos para a elaboração do código seguiram em conformidade com diversos pactos e convenções internacionais que asseguram o cumprimento das condições especificadas pelo código de ética. Entre esses instrumentos de sustentáculo utilizados pelos dirigentes da OMT podemos citar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Convenção de Varsóvia e a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e o Desenvolvimento de 13 de junho de 1992 (ECO 92), bem como muitos outros de valor internacional. A ética na sociedade humana é tão importante para o desenvolvimento que foi transformada em disciplina básica de estudos há muitos anos. O homem é um ser inquestionavelmente social, que vive em comunidade com os seus iguais e que desenvolve intenso trabalho de cooperação e desenvolvimento social, político, econômico, religioso etc.
Fazendo uso das palavras de André Roussel, em seu Dicionário de Filosofia, encontramos o conceito de ética, reproduzindo claramente a idéia a respeito da disciplina ética que deve ser ministrada nos centros de ensino: No sentido próprio, disciplina filosófica cujo objeto de estudo são os juízos de apreciação quando se aplicam a distinção do bem e do mal. Teórica e geralmente vinculada a uma busca metafísica, distingue-se da moral aplicada.
O código de ética mais famoso até hoje e que é do conhecimento de toda humanidade são os dez mandamentos, remontando a Antigüidade. A ética é muito mais complexa, geral e universal do que a moral. A moral limita-se a determinadas esferas da conduta humana, por exemplo: moral sexual, profissional etc. A moral é de conformidade com a época, já a ética transcende a época. Os valores morais - justiça, lealdade, fidelidade, honestidade - estão inseridos na sociedade de forma geral; sem eles a vida social seria impossível.
Fome, linchamentos e genocídios, por exemplo, colocam nossos valores morais à prova. Nossas ações e sentimentos dizem respeito às escolhas que fazemos entre o bem e o mal, sempre para satisfazer os nossos desejos, sonhos e aspirações, pois vivemos em sociedade e somos limitados, temos normas a seguir. A função da moral é normatizar a vida em sociedade; as normas morais variam no tempo e no espaço de acordo com as necessidades sociais. Muitas normas morais são relativas. Isto quer dizer que o que poder ser correto para uma sociedade poder soar em completo absurdo para outra. Já a ética é universal e imutável, aplicando-se a todos os seres humanos, independentes de sua raça, cor, religião e sexo. Para a ética não há distinção entre as pessoas, todos devem cumprir uma conduta que condiz com o direto de todos, de forma louvável e pacífica.
Com o intuito de afirmar os valores e o direito do turismo, a partir de toda a história que se formulou durante os tempos em que a ética cresceu e se modificou, agora temos o Turismo com uma nova identidade social e que procura se fundamentar, dentro dos princípios do Código Mundial de Ética do Turismo, princípios estes que servem como uma base ética para os profissionais da área do turismo e que foram elaborados para que toda a sociedade saiba que os compromissos assumidos com a natureza e a sobrevivência são reais e concretos, tanto desse profissional quanto de toda civilização. Tendo em vista este código de ética, elaborado para dar o suporte necessário ao desenvolvimento turístico mundial, vale salientar que a legislação brasileira também protege seu turismo, com a finalidade de assegurar o crescimento do setor.
Dentro da complexidade que é a construção de uma legislação vigente para o turismo, muitos setores e atores institucionais acabaram por criar um conjunto de normas vigentes para cada um (de forma especifica) e exigiram que as entidades públicas se pronunciassem para formular as normas gerais a serem seguidas (de forma ampla). Atualmente temos a legislação de proteção do patrimônio turístico, do estimulo à produção, do controle do produto turístico, da proteção do consumo no turismo, além de um número imenso de decretos e deliberações que, durante os tempos, são elaboradas para dar um rumo às práticas de utilização do produto turístico. Essas leis serviram e servem para proporcionar e direcionar o entendimento do turismo em âmbito jurídico, de modo que cada ator envolvido perceba seu lugar e sua contextualização legal no processo, sabendo como e até onde a exploração da atividade é legalmente assegurada.
Visto assim, as funções que deve o novo profissional do turismo exercer cabem diretamente não somente ao discurso legal, mas também as suas aspirações éticas. Qualquer trabalho, em qualquer área, sob qualquer condição social, deve avaliar em primeiro lugar e acima de tudo, sua essência ética e suas atribuições sociais, alimentada pelo compromisso urgente e inalienável de proteger o meio ambiente e todos os constituintes da natureza.
Várias outras profissões nunca tiveram seu caráter ético tão discutido como esta sendo comentado atualmente o do turismo. O poder imbuído na mão deste profissional pode mudar, de forma marcante, qualquer sociedade que exista e afetar com o desenvolvimento de qualquer comunidade ou ecossistema existente no mundo. O turismólogo pode decidir sobre os rumos da ecologia, do desenvolvimento social, do resgate cultural, da valorização das culturas híbridas, além de diversos outros assuntos que são admitidos em sua área discutir e, até se possível, atuar como um agente transformador da realidade.
A função principal deste profissional não é de descaracterizar nem abstrair culturas e condições sociais, mas, promover o desenvolvimento concomitante da cultura, da economia, da ecologia e da e sociedade, aliado aos serviços que compreendem todo o modelo turístico de desenvolvimento sustentável. É, a priori, sua função básica dentro da sociedade.
Comprometido com a causa social é que o turismólogo detém subsídios necessários ao fomento do turismo. Exaltar as riquezas naturais, vislumbrar a beleza da natureza e promover a socialização entre as culturas é papel inquestionável do turismólogo, além de promover a preservação e conservação dos ambientes e agentes responsáveis pela vida em florestas, reservas naturais e demais locais do globo.
Todas estas questões bem apregoadas dão ao turismo seu aspecto de agente modificador da vida e da cultura em vários lugares do mundo. Também aí é que o turismólogo age como cientista social, capaz de planejar o fator minimizador dos impactos sócio-culturais.
Por todos esses aspectos é que o turismo é, na verdade, o grande fator essencial de desenvolvimento econômico, cultural, político e social, capaz de propiciar novos rumos à vida tanto de uma pequena sociedade, quanto de uma grande cidade com relações bem desenvolvidas de cultura e sociedade.
Esta é a função central e intransferível que o turismólogo, o grande agente modificador do turismo, deve exercer em consonância com todos os novos aspectos que uma sociedade pode ter. De qualquer maneira, deve-se agir com vistas para a ética e a disseminação de um caráter que priorize o ser humano e todo o seu complexo esquema de estruturas sociais, construídos sob anos e anos de trabalho e dignidade ética e social, enfocando o desenvolvimento aliado ao conceito de sustentabilidade e manejo das espécies e dos recursos ambientais.
Após essa base referencial e conceitual chegamos a uma área das mais importantes para o turismo, onde a atividade presente nos serviços é sinônimo fundamental para a constituição do turismo enquanto setor marcante: a hotelaria. Como se apresenta como responsável por agregar muito valor ao turismo e por conter boa parte da experiência do turista em sua viagem, a hotelaria é na atualidade o maior termômetro de mensuração do fluxo turístico local. Um universo complexo de serviços e produtos encontrados é responsável por muitas relações sociais e humanas processadas no hotel.
Não há um código de éticas da hotelaria de maneira precisa e explicita. Mas, cada um dos setores (recepção, governança, reservas, eventos, controladoria, administração, RH, além de outros) existentes dentro de um hotel detém um código de posturas que representa um código de éticas para a categoria, definindo a forma como cada um deve se portar para receber bem ao turista na prestação do serviço.
De maneira particular a postura profissional de cada setor está intimamente ligada a sua conduta junto ao hóspede. A recepção (como é o primeiro setor a receber o turista) responde por uma série de normas na correta condução do cliente até seu quarto. O hóspede deve ser informado na recepção de todas as normas que forem necessárias para sua ordeira estadia no hotel por meio do recepcionista. A governadoria deve orientar as camareiras no trabalho de limpeza e manutenção do hotel e dos quartos dos hóspedes em seus mínimos detalhes. As reservas devem ter o pleno domínio do calendário do hotel, evitando que a mesma UH (unidade habitacional) seja vendida duas vezes, na mesma data para hóspedes diferentes.
Pode-se concluir que este trabalho vem a relatar um pouco da função que o turismólogo deve exercer em consonância com a legislação e a ética que constituem a atividade turística, dando uma síntese do que significa esse fenômeno que a cada dia cresce mais, elevando a economia do mundo, gerando renda e empregos para profissionais especializados na área.
O turismo tende através de sua legislação, conscientizar a população da importância dos recursos turísticos e que se bem cuidados e explorados, com a criação de um planejamento turístico, vão render a população local um enorme desenvolvimento econômico, social, político e cultural.
Assim, o compromisso ético do profissional de turismo também é o de zelar pela preservação da vida e das espécies, aliado ao desenvolvimento econômico e social, corroborando para o bem comum, a disseminação de ideais que mostrem para toda a sociedade a importância da preservação e da vida da natureza como um todo. Preservar a natureza é manter a vida.
O hotel como empresa prestadora de serviços precisa ser encarado como tal. Não basta, tratar apenas da infra-estrutura e abandonar os preceitos da geração de negócios e atenção as expectativas do hóspede/consumidor. Nesse sentido, é imprescindível a implantação de programas de qualidade e gerenciamento dos serviços destinados a fidelização do cliente. De acordo com os especialistas, a má qualidade do produto hoteleiro é a principal causa para a perda dos clientes. As estatísticas mostram que 68% dos hóspedes não retornam em função de negligência dos serviços e 32 % por mudança de endereço, produtos de má qualidade ou morte. Um dado para se considerar para qualificar a gestão hoteleira é que o custo para captação de um novo cliente é cinco vezes maior que a manutenção de um costumeiro.
As publicações de administração hoteleira evidenciam que o silêncio dos clientes não representa satisfação e que para um reclamante, cerca de vinte também não gostaram e se abstiveram de opinar. Portanto, mais de 50% desta maioria silenciosa não retornará. As reclamações que não foram feitas no hotel são feitas “boca a boca” no grupo de amigos, consolidando, assim uma imagem negativa.
Em um hotel, hóspedes e funcionários interagem mais freqüentemente que em outro empreendimento. Por isso, o tratamento dispensado ao último hóspede do turno precisa ser tão eficiente quanto o primeiro. Para cumprir essa meta a equipe deve ser treinada para uma filosofia representada pelo trinômio: eficiência, educação e gentileza. São estes elementos chave na constituição dos preceitos e práticas éticas na hotelaria, sobretudo porque se esta falando de uma área que dará conta, na maioria das vezes, dos sonhos das pessoas, das suas aspirações pessoais, daquilo que se planejou e buscou com tanto desejo.
O que se costuma acontecer nos hotéis, numa tentativa de avaliar como anda o nível ético e profissional do hotel, é a introdução do “Cliente Fantasma”, que é um avaliador da qualidade do produto hoteleiro. Este profissional especialista na área irá hospedar-se no hotel e como um cliente comum, utilizará produtos e serviços e ainda colocará os funcionários em situações que servirão para testar a ética e a qualidade do treinamento do mesmo, avaliando ainda técnicas de venda, serviços de quarto, condições de asseio e informações dos mesmos sobre o funcionamento de outros departamentos do hotel. Ao contrário da auditoria que analisa o caráter funcional e organizacional do empreendimento hoteleiro, o “cliente fantasma” relatará e sugerirá soluções para minimizar as deficiências e maximizar potencialidades.
Essas e outras ações simples podem melhorar a qualidade do produto hoteleiro de modo significativo evitando perdas. As primeiras lições que se aprende analisando os problemas da gestão hoteleira é que manter os funcionários e investir na qualificação é bem mais barato e eficaz que arcar com os custos da rotatividade, que inclui gastos com novas contratações e treinamentos. Apostar na mão-de-obra qualificada e preparada que se tem é mais proveitoso ainda porque os funcionários assumem e repassam a filosofia e a postura ética adotada pelo grupo.


O turismo de ontem X o turismo de hoje: evolução dos aspectos jurídicos.

Segundo HANS KELSEN:

O direito é uma ordem da conduta humana. Uma “ordem” é um sistema de regras. O Direito não é, como às vezes se diz, uma regra. É um conjunto de regras que possui o tipo de unidade que entendemos por sistema. É impossível conhecermos a natureza do Direito se restringirmos nossa atenção a uma regra isolada. As relações que concatenam as regras específicas de uma ordem jurídica também são essenciais à natureza do Direito. Apenas com base numa compreensão clara das relações que constituem a ordem jurídica é que a natureza do Direito pode ser plenamente entendida (1990: 11).

O Direito tem a função de ciência social que se insere no cotidiano de toda e qualquer pessoa. Ela que está presente nas relações humanas, a fim de garantir o bem estar de todos da sociedade, permitindo a convivência de forma ordenada.
O homem vive em comunidade, em companhia de seus indivíduos. Pela sua própria natureza, em busca de atingir seus objetivos, satisfazer seus anseios é inevitável a convivência e a interação com os outros seres, pois em sua maioria das vezes, para satisfazer a si próprio, a “ajuda” do outro se torna imprescindível.
Dessa convivência, muitas vezes gera-se conflitos de interesses. Conflitos estes, que deverão ser solucionados e amparados por normas estabelecidas a todos com o escopo de garantir o equilíbrio social e permitindo uma boa convivência humana.
Percebemos, portanto, que a relação de consumo, o ato de consumir sempre se fez presente entre os indivíduos, pois estes necessitam vestir-se, alimentar-se,..., bem como divertir-se.
Para Thierry BOURGOIGNIE,

O ato de consumo é definido como sendo ato jurídico ou material que, realizando a destinação final do bem – que constitui o seu objeto - nele esgota total ou parcialmente o valor econômico, provocando geralmente a retração, definitiva ou temporária, no mercado.

O ato de consumo, portanto está atrelado ao mercado devido ao seu caráter econômico, caracterizado pelo encontro de pessoas que querem (necessitam) e outras pessoas que pode ofertar.
Assim também está o mercado amparado pelo Direito, pois a seu ver, tratando-o como um espaço negocial, cada negócio, cada serviço é um contrato, um acordo de vontades a criar obrigações para ambas as partes. Aí está o Direito para tutelar tal transação.
Ao estudarmos a cerca relação de consumo, mister analisarmos seus protagonistas, sujeitos da relação de jurídica de consumo: o fornecedor e o consumidor.
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 4º:

Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

No tocante a consumidor, assim define o mesmo Código em seu artigo 2º: toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. O fornecedor é o responsável pela colocação de produtos e serviços à disposição do consumidor. Podendo ele ser pessoa singular, ou em associação, empresa.
O legislador relata o desempenho das atividades dos fornecedores que para ser caracterizado como tal, deve desempenhar a função com vistas a sua implantação efetiva no mercado, posicionando-se como negociante, caso contrário não será considerado fornecedor.
Quanto ao consumidor, o legislador o define pelo seu caráter econômico, como sendo aquele que adquire bens ou contrata prestação de serviços, como sendo destinatário final, com vistas a atender uma necessidade própria e não para o desenvolvimento de uma outra atividade negocial. Assim sendo, seria caracterizado como fornecedor.
Pode determinada pessoa ser consumidora numa relação e fornecedora em outra. A figura de consumidor é, portanto, uma situação, não se dirige a um tipo específico de pessoa, mas a uma situação a que esta se submeteu.
Produto é definido pelo Código de Defesa do Consumidor como qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. E serviço como, qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
O termo produto foi mal empregado pelo Código, segundo a maioria dos doutrinadores, inclusive os próprios elaboradores do anteprojeto do Código. Serviço está bem conceituado, podendo ser considerados como “atividades, benefícios ou satisfações que são oferecidos à venda (exemplos: corte de cabelo, consertos)”[1]
Importante ainda ressalvar a cerca dos contratantes, visto que se trata de uma relação jurídica.
Verificamos, portanto, que ao falar em turismo, presente está a relação de consumo. Ao viajar, o turista, utiliza-se de produtos posto a sua disposição, seja ele transporte, alojamento, entretenimento, etc. Podendo utilizar-se de todos eles ou apenas um.
Realiza-se turismo, a pessoa que pega carona com outro para determinado lugar, mesmo hospedando-se em casa de parentes, apenas para visitá-los por alguns dias. Aqui, há turismo, mas não relação de consumo. Porém, se o mesmo aproveitando-se de sua estadia em tal local, consumir determinado bem ou utilizar-se de certo serviços, como um restaurante, por exemplo, estará caracterizado a relação. Não querendo dizer, entretanto, que tal bem ou serviço só poderá ser consumido pelo turista, mas também por pessoas do próprio local.
É através da oferta e da demanda que determina o lugar a ser visitado, que irá ajudar a escolher o produto a ser consumido. Daí verificamos a importância dado ao mercado, oferecendo uma gama de diversidades de produtos e inúmeras facilidades para viabilizar tal consumo.
Por trás de todo turista, há um consumidor que busca satisfazer seus anseios e desejos próprios, cada um com vontades próprias, que contando com a ajuda de motivações o influenciarão a tomar sua decisão.
Em relação aos agentes da relação de consumo, ou seja, consumidores e fornecedores, mister mencionarmos a cerca de seus conceitos. Embora o Código de Defesa do Consumidor tenha definido a figura de Consumidor como sendo toda pessoa física ou jurídica, na atividade turística não percebe-se a figura deste ultimo enquanto consumidor. Não há como uma pessoa jurídica ser um turista.
Poderá sim, ocupar a função de fornecedor bem como a de contratante, já que nem todo aquele que contrata é considerado consumidor, no sentido jurídico do termo. Poderá uma empresa contratar uma viagem para um empregado, pois conforme estudamos anteriormente, contratante é aquele que paga pela prestação de um bem ou serviço, não sendo necessário que seja para consumo próprio. A empresa será a contratante, e o empregado, o turista, beneficiário da contratação.
Quanto aos fornecedores da atividade turística, são eles em sua maioria os prestadores de serviços, tais como transportadoras, hotéis, camping, instalações de lazer e entretenimento, balneários, termas, estações de água, policlínicas, agências de viagens, operadoras de turismo, organizadores de eventos, congressos, embora haja ainda o consumo de bens como nos restaurantes, bares, boates, cinemas, teatros, lojas artesanais e etc.
Percebe-se quão diverso é o mercado turístico, incluem-se nele relações negociais que nada têm a ver com a do negócios turísticos, como por exemplo um turista que compra remédios, faz compras em supermercado. Tais atividades não são tipicamente turísticas, mas compõem o mercado de consumo turístico à medida que se beneficiam diretamente com o movimento dos turistas.
Como visto, as relações de consumo sempre se fez presente, pois o homem sempre procurou trocar, vender, comprar algo para a sua sobrevivência. Logo, o Direito sempre regulou essa relação.
O surgimento do Estado Liberal, a partir do século XVIII, trouxe como características os direitos individuais e políticos, poder limitado, a não intervenção do Estado na esfera privada e a defesa da livre iniciativa e livre concorrência. Assim, as leis eram feitas para dar sustentação ao liberalismo econômico e as relações jurídicas eram regidas pelos princípios da autonomia da vontade, consensualismo e obrigatoriedade contratual.
A mentalidade capitalista, faz com que os indivíduos despertem neles novamente o individualismo. Com o tempo, percebe-se a necessidade do Estado de intervir na economia para assegurar a justiça social, não deixando de ter um poder limitado e garantindo os direitos individuais, políticos, e ainda, sociais e econômicos. Deve-se respeitar a livre concorrência e a livre iniciativa, alem de garanti-las, mas pode intervir para garantir o respeito aos fundamentos e princípios constitucionais.
Gladston Mamede relata,
A idéia de promoção estatal de atividade econômica nos conduz ao plano da intervenção estatal. No atual regime constitucional brasileiro, a livre iniciativa constitui um dos fundamentos da República, ao passo que a livre concorrência constitui princípio que orienta a atividade econômica. Porém, a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o trabalho são, igualmente, fundamentos da República, assim como são também princípios orientadores da atividade econômica a defesa do consumidor, a defesa do meio ambiente, a redução das desigualdades regionais e sociais, a busca do pleno emprego e o tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país.

Em respeito a isso, ao proveito constitucional, que o Estado promoverá e incentivará o turismo, explorando-o sempre com vistas no interesse do desenvolvimento social e econômico do país. É preciso respeitar tais garantias constitucionais, bem como, e concomitantemente proteger os direitos e interesses dos consumidores, que também é assegurado pelo preceito constitucional garantindo aos indivíduos a cidadania e a dignidade da pessoa humana. “Cidadania implica direitos e deveres, a equilibrar o conjunto das relações jurídicas de cada individualidade em si (absoluta) e no todo (relacional); direitos e deveres para consumidor, assim como para fornecedor”.
[1] Administração e marketing: análise, planejamento e controle, são Paulo, Atlas,1985. in

METODOLOGIA DA PESQUISA APLICADA AO TURISMO - Doutrina de curso

A necessidade de conhecimento sempre despertou no ser humano uma vontade inconteste de buscar compreender as relações que o cercam, sejam elas sociais, humanas, espirituais ou econômicas. Essa busca cotidiana levou a ciência a construir modelos esquemáticos da realidade, na tentativa de explicar o “por quê” de certas coisas acontecerem, quais suas conseqüências e implicações (sejam elementos particulares e sua relação com um todo).
Sobretudo com relação ao turismo, a ciência, a pesquisa e seus métodos são essências para se estudar este fenômeno e compreender todo conjunto de relações que se processam simultaneamente ou em partes isoladas. É esse conhecimento do turismo que apóia as decisões, em seus diferentes setores de educação, sendo de fundamental importância tanto para profissionais da área, quanto para pesquisadores da atividade.
Quando se estudam fatos que integram a sociedade, ocorre a procura de modelos simplificados do objeto estudado. À medida que se aprofunda o conhecimento passa-se a considerar um número cada vez maior de fatos e elementos que possuem relação com aquilo que estamos estudando. A paridade entre modelo e realidade, de forma sistêmica e controlada, busca dirimir as chances de erros nas avaliações e previsões. O processo tem inicio pela procura de paradigmas genéricos e largamente aceitos pelas ciências, proporcionando a compreensão do método científico. Este método consiste numa série de procedimentos realizados pelo pesquisador, com a finalidade de reduzir as chances de erro. É importante salientar que o trabalho esta construído em suposições prováveis, e não com verdades absolutas. Dessa forma, considera-se que toda pesquisa possui uma intencionalidade, a qual se qualifica como um entendimento da realidade. O envolvimento com a realidade faz com que os significados atribuídos aos diferentes fenômenos observados estejam condicionados pelo referencial interpretativo do pesquisador no momento em que este realiza a pesquisa.
O caráter científico da pesquisa é definido pelo método utilizado para sua construção. O método delimita o procedimento pela busca do conhecimento. Para o caso do turismo, a simples observação dos fatos não é suficiente para o conhecimento científico deles. Faz-se fundamental tratar do conhecimento do turismo, sob o viés científico, através de técnicas para registrar e quantificar os dados observados (referentes ao comportamento turístico), ordenando-os e classificado-os. O conhecimento da realidade de maneira precisa e apurada permite ao homem intervir no curso dos acontecimentos, seja pelo controle da natureza, seja pela construção de novos cenários sociais, mediante ações de planejamento. Para o turismo, tal conhecimento referendado permite a elaboração de planos e projetos, além da pesquisa em toda área de atuação, tendo a metodologia um caráter de orientação de ações de cunho geral e específico.
A metodologia do turismo, em sua essência, é definida pelo conjunto de métodos experimentais, seus procedimentos, técnicas e táticas para ter um conhecimento científico, técnico e prático dos fatos históricos, segundo a OMT (Organização Mundial do Turismo). Apesar de ter uma descrição de seu método, o turismo promove a construção de pontes interdisciplinares com outros métodos, já que sua dinâmica prevê tais pontes com outras ciências. Muitas são as disciplinas que tratam da questão do turismo e temos que admitir que ainda hoje o turismo não constitui um corpo de conhecimentos independente, com uma dinâmica própria. Tal fato leva a crer que o turismo faz parte de um processo maior, onde o âmbito (ou natureza da pesquisa em turismo) é multi e interdisciplinar, já que o turismo aparece como objeto de estudo de diferentes disciplinas, influenciado desta maneira por paradigmas diferentes, prejudicando a formação de um corpo teórico próprio.
A multidisciplinaridade do turismo refere-se ao estudo da atividade através de diferentes disciplinas (antropologia, geografia, educação, história, psicologia, etc.), entendendo por disciplina como uma gama de conhecimentos específicos passíveis de serem ensinados e que possuem seus próprios antecedentes quando a aspectos pedagógicos, procedimentos, métodos e área de estudo. Apesar dessa sinergia cientifica para alicerçar o conhecimento pragmático do turismo, há deficiências quanto a sua utilização, já que a investigação dentro dos limites de cada disciplina pode resultar em esforços fragmentados e dispersos, promovendo ainda a colaboração dentro de apenas uma área em especial, além do que a investigação é parcelada e atomizada.
Na abordagem turística em nível interdisciplinar[1] procura-se o rompimento do conceito formal existente em cada disciplina e faz-se a ligação teórica entre duas ou mais áreas do conhecimento (geografia do turismo, história e turismo, sociologia do turismo...), buscando com isso formar um novo conceito frente a uma nova realidade vigente.
No contexto transdisciplinar, a base da investigação dá-se quando diversas áreas ou ciências buscam as respostas para um problema que lhes é comum. É como se todos se reunissem para deliberar uma solução para o problema, utilizando parte dos conceitos de cada uma em especial. Assim, quando diversas áreas procuram estudar a exploração do turismo em uma localidade, aborda-se o contexto social, cultural, econômico, geográfico, histórico, paisagístico, arquitetônico, etc.. sobre vários vieses diferentes, mas, que contemplam uma mesma preocupação: os efeitos do turismo naquela localidade.
Essa teorização essencial para o turismo (já que o mesmo necessita dessa multi, inter e transdisciplinaridade) demonstra que de diversas formas o turismo busca se aliar com outras áreas do conhecimento a partir de um método (ou métodos) especifico, tendo um suporte metodológico que lhe possibilite atuar de forma cientifica, dependendo da abordagem que lhe seja adotada, atendendo ao paradigma que se faça necessário ser estudado.
De uma forma mais especifica, muito do que o turismo procura conhecer tende a ser mais ou menos abordado, dependendo do pressuposto difundido. Quando se trabalha com uma investigação que priorize metodologias quantitativas para o turismo, acaba por se priorizar mais a quantidade de dados em detrimento da qualidade desses dados. Ora, o turismo é um fenômeno social, onde pessoas e culturas diferentes se tocam, interagem e provocam a dinâmica de mudanças conjunturais; por esse motivo, as pesquisas quantitativas não apresentam a realidade esperada ou factual daquilo que se busca saber. Já na pesquisa qualitativa por si só apresenta, como escopo, todo o contexto social e relacional da atividade, deixando de se mensurar o montante dos dados cada vez mais crescentes que o turismo carrega. Não se esta defendendo uma segregação metodológica nesse sentido, mas, um casamento feliz entre quantidade e qualidade dos dados, que procura se preocupar ao máximo com a magnitude com que se chega à realidade da investigação cientifica.
Desde a revolução industrial até os dias atuais o turismo vem promovendo uma evolução nos seus paradigmas, apontando uma substituição do turismo de massa para um tipo de turismo sob a égide auto-sustentável, seja pelo uso e consumo da natureza, seja pelo respeito aos povos visitados. É nesse momento que a análise qualitativa ganha mais repercussão, promovendo, concomitante com o turismo, uma visão sistêmica da atividade, sob o ponto de vista local, regional e global.
O processo de investigação em turismo é extremamente complexo, ainda mais munido de diversas linhas de suporte metodológico que lhe assessora. O primeiro passo para a investigação é a formulação do problema a ser estudado. Toda pesquisa parte da observação de um problema especifico, que pode ser visto em diversos focos; estudar as causas desse problema é que se configura como o ponto central da pesquisa. Logo mais é preciso delimitar os objetivos, até onde se pode e se quer chegar com a investigação. O objetivo divide-se em geral e especifico, porque busca atentar para uma questão central (objetivo geral) e logo mais seus reflexos no caso estudado (objetivo especifico). A partir desse ponto faz-se importante a busca por fontes seguras de informação e que possam alicerçar a pesquisa em toda sua amplitude, desde fontes primárias (material mais recente e original sobre o assunto em questão) até as secundárias (material organizado em bancos de dados, índices bibliográficos, remissivos ou de conteúdo). Daí parte-se para a definição de conceitos que irão ser estudados na pesquisa e que caracterizam-se como chave para o estudo.
A construção das hipóteses vem logo em seguida, buscando um entendimento empírico (apenas através da observação simples e sem método) da questão a ser estudada, estabelecendo um esquema teórico de relação entre as variáveis[2] envolvidas. Em seguida vem o processo de investigação, que deve ser adequado ao objetivo da pesquisa, pois, se estiverem em questão dados qualitativos usa-se uma abordagem determinada; mas, se procura trabalhar com dados quantitativos, outra linha metodológica e investigativa deve ser trabalhada.
A pesquisa compreende uma série de etapas que são: o projeto de pesquisa; a coleta dos dados; análise desses dados; elaboração escrita do relatório final. Todas essas etapas compreendem um processo sistematizado que busca atingir os objetivos pré-estabelecidos no projeto da pesquisa.
Através de todos estes instrumentos de pesquisa cientifica é que se procuram criar novos rumos para a atividade, novas formas de ver, pensar, planejar e realizar o turismo. Desde os impactos ambientais e sociais até as benesses que lhes são oriundas, o pensar do turismo adota uma nova conjuntura, novos paradigmas também são criados e recriados. Os antigos problemas são estudados, analisados e superados por meio da pesquisa, da compreensão do que representam para a atividade; novos desafios surgem e com eles novas ferramentas de investigação são criadas, possibilitando até mesmo no turismo uma evolução das ciências e de suas ferramentas investigativas.
Deste ponto em diante segue a mesma lógica que é elaborada pelas ciências investigativas tradicionais, observando um quadro real conhecido através de um desenho teórico pré-selecionado. Todas as etapas, a posteriori, dessa pesquisa culminam com um trabalho acadêmico, de cunho científico (pois é constituído de um método investigativo científico) e que tem embasamento pragmático, de modo que a natureza dos dados é assegurada como sólida e segura para a apreciação de estudiosos, acadêmicos e demais interessados nas discussões críticas que se fazem importantes para o contexto abrangente do turismo.

Técnicas e métodos de pesquisas utilizadas para caracterização e prospecção de demanda para destinos, equipamentos e serviços turísticos.

O conhecimento da demanda é fundamental no planejamento turístico, pois é a partir daí que é possível se traçar parâmetros e delinear as ações mais pontuais para cada tipo de destino turístico. A análise da demanda e de suas correlações com a oferta turística implica o conhecimento de sua estrutura, sua evolução e sua tendência futura. Por isso é que a metodologia cientifica é uma ferramenta indispensável à caracterização da prospecção no turismo, já que devera apontar os caminhos a se investir. Inventariar toda infra-estrutura básica e turística, mensurar seus impactos (econômico, social, ambiental, cultural e político) e propor um modelo que atenda à dimensão do turismo local é tarefa extremamente complexa para os métodos vigentes.
De forma básica, é preciso definir um roteiro inicial de trabalho, que objetiva classificar este mercado. O conhecimento da demanda implica na segmentação de mercado a partir de diferentes critérios. O primeiro é a definição da demanda efetiva (aquela que está visitando o destino no momento) e da potencial (aquela que poderá ocorrer). A demanda efetiva é mensurável através de muitas das ferramentas de investigação cientifica descritas anteriormente, enfatizando que se já existe uma visitação no lugar é porque o produto turístico já dispõe de uma série de características que lhe confere tal potencial, necessitando para tanto conhecer este público consumidor, de forma a entender suas motivações e desejos e trabalhar no sentido de atender suas necessidades. Já na demanda potencial é preciso buscar mais informações que possam dar subsídios a novas estratégias de captação de mercados, visando ampliar a abrangência do produto turístico em questão nos mercados (regional, nacional e internacional).
Assim, classificando uma série de métodos que possibilitam conhecer e atrair a demanda potencial faz-se importante destacar: 1- identificar e eliminar os elementos impeditivos (tais como dificuldade de acesso, inexistência de serviços turísticos, custo elevado, desconhecimento do produto); 2- Segmentar a demanda em diferentes extratos (com relação à distancia entre mercado emissor e receptor; ao perfil socioeconômico e cultural do público-alvo; renda e consumo desse público; suas motivações e desejos; grau médio de instrução).
A metodologia desta investigação poderá ser feita no destino ou na origem do turista. Neste último ponto a pesquisa torna-se bastante elevada, necessitando que o método de investigação seja muito bem trabalhado visando fornecer o máximo de informações necessárias à delimitação do perfil desse público.
A demanda em turismo distingue-se de outros tipos de demanda, uma vez que o consumo do turismo satisfaz a um tipo de necessidade cultural, social e de lazer. São muitos os que condicionam a demanda turística e pos esse motivo devem ser investigados. Existem os fatores condicionantes que definem-se em: demográficos (idade, sexo, tamanho e crescimento da população), sociológicos (crenças religiosas, situação socioeconômica, nível cultural, composição familiar), econômicos (renda per capita, quantidade de viagens por ano, comportamento de consumo), turísticos (meios de transporte utilizados, duração e objetivo da viagem, localidades preferidas, tipo de lazer procurado).
Todos estes elementos procuram definir o público-alvo das destinações, visando o combate intensivo e constante da sazonalidade, já que durante todo decurso do ano diferentes tipologias de turistas procuram satisfazer sua necessidade de viajar e melhor aproveitar seu tempo de lazer. Identificar seus desejos e motivações durante todo o ano pode ser o diferencial na investigação cientifica do turismo.
Todo processo de prospecção da demanda turística também precisa levar em consideração o estudo da concorrência de mercados geograficamente próximos, já que outras empresas com produtos semelhantes aos que se está vendendo para as mesmas classes deve ser mantido em observação. Dentre algumas das informações que precisam ser observadas nos concorrentes elencamos a análise da oferta dos núcleos receptores que oferecem o mesmo produto turístico, as informações de perfil do consumidor, as opções viáveis de investimento, e as formas alternativas de concorrência.
Quanto as variáveis consideradas no estudo da motivação, a relevância da investigação cientifica baseia-se no diferencial que cada destino tem a oferecer, sobretudo na sua configuração regional frente aos concorrentes. Belas paisagens, lugares históricos ou inusitados, custo relativamente razoável, hospitalidade do povo, clima, luares exóticos, música e dança são alguns desses elementos que precisam ser considerados nas variáveis estudadas pela metodologia em turismo.
Existem diversos métodos para se caracterizar a demanda turística, seus equipamentos, suas carências e sua oferta diferenciada, partindo da premissa que cada destino turístico tem um potencial singular e sua formatação vai depender da direção que a pesquisa metodológica vai apontar. Destacamos as seguintes e mais usuais técnicas de investigação e definição de ações para o turismo: Método Zoop, critério ABIMEPE (Associação Brasileira de Pesquisa de Mercado), segmentação por estilo de vida e painel do consumidor turístico.
Sem duvida que uma das técnicas mais conhecidas e discutidas para prospecção do produto turístico é a técnica Delfos, que consiste num modelo de prognóstico e previsão utilizado e desenvolvido para conhecer a situação futura de determinados sistemas. A planificação prospectiva reúne um conjunto de métodos e técnicas cujo objetivo principal consiste em explorar o futuro e projetar no presente mecanismos que contribuam para seu controle. A técnica Delfos começa a ser reconhecida e utilizada na década de 1950 tem por objetivo gerar informações sobre o futuro, sobre as conseqüências de determinados fatos ou eventos, de modo a permitir uma visão que sirva de parâmetro para avaliar o presente. É uma ferramenta bastante democrática porque busca chegar a um denominador comum entre diferentes atores sociais, de forma que todos podem participar da construção daquilo que se está discutindo, de maneira consensual e ampliando ao máximo os aspectos enfocados por cada participante.
Nesse sentido, a investigação cientifica em turismo pode assumir diversos argumentos de investigação, primando sempre pelo cunho sistêmico das informações e pelo conteúdo o mais preciso possível. Apontar os rumos da atividade requer extrema compreensão do processo global de seus agentes, a descrição sumaria de seus condicionantes e a classificação dessas informações, de modo que seja possível delinear as ações visando o desenvolvimento presente e futuro do turismo, sempre sobre o viés sustentável e de base local.
Modelos quantitativos e análise qualitativa aplicados ao turismo:

Um projeto de pesquisa não é necessariamente quantitativo ou qualitativo, já que o que definirá o tipo da pesquisa a ser usada e a metodologia adequada serão os paradigmas adotados pelo pesquisador, a natureza e o problema da pesquisa em questão e, por fim, o objeto de pesquisa. Estes elementos resumem e conduzirão o processo de investigação. A dimensão da pesquisa em turismo é um elemento importante dentro da abordagem acadêmica a ser adotada. Tanto os modelos quantitativos (como por exemplo os levantamentos estatísticos, estudos descritivos estatísticos, a análise dos dados obtidos e a tabulação dos mesmos) quanto os qualitativos (estudos de caso, exploratórios ou ainda análise de discurso) são condicionantes essências na busca pelo aprofundamento do fenômeno turístico.De certo que o pesquisador precisa escolher dentro dessas, e muitas alternativas ainda, aquela que se converterá na mais adequada forma de investigação cientifica. A pesquisa qualitativa é a mais adequada quando se precisa obter um conhecimento mais profundo do caso especifico, no entanto, não permite a generalização em termos de probabilidade de ocorrência, já que um caso particular não pode ser referencia para a totalidade dos acontecimentos. No entanto a quantitativa permite a mensuração de um grande número de dados a cerca do fato ou objeto estudado, porém, não procura entender as causas mais particulares de cada elemento em si, apresentando uma frieza de dados que pode ainda conter dados e resultados viciados em erros probabilísticos, não considerando a particularidade do estudo.
Mensuração dos impactos da atividade turística.

A mensuração dos impactos no turismo pode ser executada seguindo estas duas abordagens, no entanto a natureza de tais impactos pode ser o elemento que definirá qual método deve ser melhor aplicado para tal mensuração. Temas como: Impactos do turismo na comunidade receptora; Impactos econômicos na comunidade; Impactos psicológicos na comunidade, e; Impactos sociais na comunidade, são questões que convergem para o mesmo objeto de pesquisa, mas que precisam ser estudadas de formas diferentes.
Para dados que medem aspectos como natureza econômica do turismo, a titulo de exemplo, a melhor abordagem será a quantitativa, já que descreverá o montante de elementos representativos frente à economia estudada, ainda mais por ser geralmente superficial e estatística, investigada através de questionários estruturados e cuidadosamente construídos. Em uma análise de caráter qualitativo, os impactos do turismo podem ser mensurados através de dados que podem ser recolhidos de acordo com o relato das pessoas, direcionando a pesquisa para uma análise de discurso, a qual da liberdade ao entrevistado para se expressar e levantar uma série de questões relevantes, sem que o pesquisador preocupe-se em enumerar tais elementos, conduzindo a tabulação dos dados através da fala como registro documental de relato com o impacto estudado.
O que fica evidente a cerca dessa questão é que faz-se mister identificar quais situações estarão sendo estudadas pelo turismo para que se possa definir qual método de investigação será o mais apropriado. Ambos os procedimentos possuem ferramentas fantásticas de investigação, mas, limitadas em sua própria natureza. O melhor a fazer é discutir a questão ou objeto a ser estudado, delimitar os meandros da investigação e erigir a discussão em bases de investigação cientifica reconhecidas ou mesmo inéditas, garantindo a qualidade e a precisão factual dos dados coletados e mencionados pelos investigadores.
[1] Entendendo a interdisciplinaridade como uma inter-relação orgânica dos diferentes conceitos das diferentes disciplinas, até o ponto de construir uma nova unidade formada com as novas proposições de cada uma das disciplinas particulares.
[2] Variáveis dividem-se em duas linhas: Objetiva e instrumental. A primeira diz-se daquela que se pretende explicar; a segunda é aquela que interfere no estudo ou abordagem da variável-objetiva, pois, procura definir quais os instrumentos metodológicos a serem empregados na pesquisa.

ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS E TURISMO DE EVENTOS - Doutrina de curso

Por meio do evento, que consiste em um acontecimento, tem-se a oportunidade de atrair a atenção do público de interesse para a organização que o realiza. A atração exercida por esse tipo de atividade, quando bem organizada, torna-se eficiente forma de elevar, manter ou recuperar conceito. Embora a atividade “Organização de Eventos” não seja prerrogativa de nenhuma profissão, é necessário dizer que esse profissional deve ter uma formação que venha a facilitar a sua introdução nessa função tão importante para a vida das organizações. Nesse sentido, o profissional de relações públicas apresenta-se (oficialmente dentro das suas competências definidas por lei) como aquele mais competente para planejar, organizar e executar um evento.
O primeiro congresso oficialmente registrado, em 325 d.C., foi o Concílio de Nice. Tempos depois, após o fim da segunda guerra mundial, as reuniões internacionais se multiplicaram, surgindo logo mais a consciência de se sediar reuniões internacionais. A importância econômica de um congresso ou convenção acarreta uma cadeia de ações que envolve diversos setores do mercado e que é responsável por uma imensa distribuição de renda em toda região que o abraça.
Evento constitui-se num fato que desperta a atenção, podendo ser notícia e divulgar seu organizador. Roberto Porto Simões defini-o como um acontecimento criado para uma finalidade especifica de alterar a história da relação organização-público, em face de necessidades e tendências observadas. Ainda pode-se considerar como um composto de mix de marketing, buscando minimizar esforços e usando da sinergia disponível no poder de engajar pessoas numa idéia ou ação. Toda essa teorização tem como escopo a construção de um referencial, buscando a compreensão do objetivo de um evento, seu papel social e sua finalidade funcional, que engloba diversos atores sociais em sua efetivação.
Através dos eventos muitas empresas marcam pontos positivos, pois aproximam público/empresa/idéia, criam uma imagem favorável quanto à opinião pública, reduzem barreiras existentes e ampliam o nível de conhecimento da marca (ou produto) em questão.
Os eventos surgem em resposta a uma dinâmica da própria sociedade, que dita seus valores e suas necessidades refletidos em uma determinada época, propondo investimentos compatíveis com seus propósitos. E é através dessa demanda de mercado que se visualizam as conseqüências socioculturais que se pretendem atingir. Poder-se-á haver conseqüências tais que, sem terem sido buscadas ou sequer imaginadas, se transformarão em significativos resultantes que influenciarão o surgimento de alterações comportamentais ou posturas sociais. Na formulação de um evento o idealizador, de forma multidisciplinar, cerca todas as manifestações, atitudes criadoras e alternativas que possam formatar a geração e idealização do evento.
Na construção da especificidade do que seja um evento, encontramos a classificação do mesmo em dois tipos: institucionais e promocionais. A abrangência é imensa e vai desde o contexto folclórico, religioso e social até cientifico, político e técnico, além de muitos outros. Cada categoria de evento responde por um diferencial, seja ele logístico ou estrutural, variando a quantidade de pessoas, o grau de instrução destes, o nível de renda, de onde são originados, etc. O perfil do público é muito importante para cada tipo de evento que se deseja realizar, conduzindo a forma e os aspectos estruturais que o mesmo venha a ter.
O planejamento de um evento deve ser empreendido de maneira minuciosa, trabalhosa e de grande responsabilidade e que vai desde o pré-evento, evento e pós-evento. Como se trata de um acontecimento “ao vivo” qualquer falha pode comprometer o conceito ou a imagem daquilo que se planejou. A forma como se deve pensar um evento deve partir de sua abrangência sistêmica, já que um evento é composto de inúmeras variáveis e não pode ser pensado de forma isolada. Um evento deve ser pensado e visto como um produto, atribuindo-lhe todos os princípios aplicáveis para tanto, como oferta, demanda, comportamento do consumidor, propensão de consumo, relacionamentos, estratégias de comunicação e marketing, produção e distribuição, todos devendo ser levados atentamente em consideração.
Para que os objetivos do evento sejam plenamente atingidos é fundamental que se faça um criterioso planejamento envolvendo: objetivos, públicos, estratégias, recursos, implantação, acompanhamento e controle e, avaliação. Os objetivos devem ser considerados na sua totalidade (geral) e em suas partes (específicos), mostrando o que se deseja do evento como um todo. Os públicos referem-se a quem se destina o evento, determinando se este é externo (fora do local, seja uma cidade, estado ou país), interno (uma organização, sócios, clientes, funcionários, fornecedores) ou misto (ambos os casos em suas combinações) e ainda quem dentro dessa classificação. As estratégias consistem naquilo que serve de atração para o público de interesse do evento. Os recursos são todos os que estão envolvidos com o evento (humanos, materiais e físicos) e que serão utilizados. A implantação consiste na descrição dos procedimentos, desde a aprovação do projeto até o seu término. O acompanhamento e controle é a determinação de quem e como será feita a coordenação de todo o processo da organização do evento. A avaliação é feita após o termino do evento em forma de relatório para ser entregue a quem solicitou a organização, como se fosse uma prestação de contas. É importante acrescentar ainda que deve ser feito, previamente, um orçamento detalhado, onde estarão descritos os recursos financeiros que serão necessários para o pagamento dos recursos humanos e materiais.
Uma das questões mais importantes a serem tratadas no âmbito dos eventos é o cerimonial. Definido o tipo de evento haverá, necessariamente, um cerimonial a ser operacionalizado, visando atender as normas da conduta e da etiqueta pré-estabelecida para aquele evento especial. Um evento para estudantes não terá o mesmo cerimonial do que um presidido pelo governador de um estado, ou prefeitos, ou o presidente da república, ou chefes de estado. O protocolo a ser seguido atende a uma série de normas e dispostos que cada evento em particular pode solicitar. Massahiro Miyamoto descreve com detalhes todo protocolo que deve ser seguido para cada tipo de cerimonial.
Muitas localidades procuram investir nos eventos como fortes agentes de captação de recursos econômicos, investido muito no processo de captação do evento, o que pressupõe um conjunto de ações em parcerias que visam conquistar para a cidade eventos que já se realizam periodicamente em sistema de rodízio. Nas parcerias de captação é importante identificar quais as organizações que estão interessadas no evento, sejam elas privadas ou públicas. Os interesses são muitos e vão desde econômicos, sociais e culturais até políticos e científicos. Há uma grande disputa nesse mercado, onde muitos países desenvolvem um alto grau de especialização em captar e administrar esses eventos, promovendo um elevando grau de qualificação profissional e de competência gerencial.
Os principais parceiros no processo de captação dos eventos são: entidades e associações de classe nacional e internacional, convention and visitors bureau ou centro de convenções da cidade, organizadores de eventos, agências de viagem especializadas em eventos, companhias aéreas, órgãos públicos correlatos (secretarias municipais e estaduais de turismo, empresas do setor, mercado em geral).
O mercado de eventos cresce atrelado a outros setores do turismo, pelo fato de se agregar a uma série de tipologias que procuram identificar seus públicos, como o turismo de incentivo (quando uma instituição promove a ida de um cliente ou funcionário da empresa a um evento que a mesma esteja promovendo ou participando). A importância dos congressos é evidenciada através do êxito do turismo de negócios pelo mundo, o que colaborou de forma significativa para a melhoria na qualidade técnica dos eventos e do crescente aumento dos públicos em cada ocasião. Atualmente as estratégias de promoção destes eventos dão-se mais em função das próprias demandas dos clientes/consumidores do que do próprio mercado; o papel atual do mercado é identificar os desejos dos clientes e, com isso, proporcionar para eles o melhor evento que os mesmos desejam. Na verdade, esta é uma tendência hegemônica mundial e que também se reflete no tipo de marketing que é promovido pelas empresas. Muitas estratégias vêm sendo utilizadas para tanto, dentre elas merece especial destaque as promoções ao consumidor, os eventos motivacionais, as campanhas de incentivo e as convenções de venda.
Paralelamente a isso, muitas transformações tecnológicas também vêm sendo acompanhadas pelo mercado internacional de eventos, agregando novas tecnologias e facilitando a execução do trabalho. O acesso a informação em tempo real, a divulgação personalizada das informações para diferentes consumidores, os meios de comunicação acessíveis em todo mundo e através de uma linguagem globalizada são algumas das essências discutidas nesta questão, acessando e conectando pessoas das mais diversas partes do globo. Concomitante a isso surge um novo cenário de hábitos, costumes e motivações que vem levando os homens a encarar novos desafios profissionais e a levar uma vida social mais ativa e intensa. A própria sociedade passa por essas transformações, na medida em que muitos eventos são considerados os elos que ligam pessoas de diferentes partes e culturas do mundo a se reunirem por um causa em comum: a participação em um evento.
O papel dos eventos para o turismo é estratégico e essencial para definir uma aliança perfeita entre as duas atividades: o Turismo de Eventos. Através do turismo de eventos as pessoas deslocam-se para outros destinos, procuram se assessorar de todo tipo de produtos e serviços que o local possa lhes oferecer (serviços de guias, hotéis, restaurantes, lojas, locadoras de veículos, etc.) visando o máximo aproveitamento da estrutura existente à disposição. O turismo de eventos é o ramo do turismo onde mais os visitantes gastam seus recursos, já que procuram toda a gama de serviços que o destino tem a lhes oferecer, por força do evento que se realiza no seu interior.
O turismo de eventos é um dos grandes responsáveis pela redução do problema da sazonalidade. Apesar de ser um forte gerador de benesses para a comunidade e a economia em geral, o turismo também pode ser muito frágil e tímido ante as situações e momentos de crise. Os altos e baixos das crises econômicas pode significar o adiamento do crescimento do turismo. Estes intervalos na exploração do turismo (onde a atividade se revessa em momentos de desaceleração do crescimento, estagnação e lenta recuperação) constituem-se nos períodos de alta e baixa estação, ou ainda como a sazonalidade no turismo. Qualquer crise internacional é motivo de preocupação e apreensão, por se tratar de momentos onde a atividade esta sujeita a solavancos que podem desestabilizar destinações e, até mesmo, promover o fechamento de alguns estabelecimentos que sobrevivem diretamente do turismo, como a hotelaria. A sazonalidade pode ser definida como a “época de temporada ou de alta estação mais aprazível do ano”. No meio acadêmico, o efeito da sazonalidade é comumente compreendido como o período que se revessa entre a baixa e a alta estação. Consiste nos períodos de maior e menor demanda turística por determinados produtos.
Nesse sentido é que o turismo de eventos se destaca como uma ferramenta fantástica, porque a promoção de eventos seguindo um calendário anual de promoção e atraindo diversos públicos, busca preencher as lacunas deixadas pela baixa ocupação do turismo nos destinos durante o ano. Essa ocupação continuada mantém os equipamentos turísticos e o comércio local sempre movimentado, permitindo o fluxo de recursos e mercadorias, de modo que todos são beneficiados continuamente.
De forma mais especifica, deve-se entender que existem setores do turismo que se relacionam com os eventos de forma direta. Exemplo disso esta na área de eventos dos hotéis como de grande importância. Através desse produto, também ferramenta de marketing hoteleiro, o hotel torna-se mais conhecido, promovendo novos negócios além da tradicional hospedagem. Esta é, certamente, uma das muitas inovações tecnológicas que os hotéis desenvolveram para agregar mais valor aos seus serviços, consequentemente as receita e taxas de ocupação. Atualmente é muito comum ver um hotel que disponha de uma área para eventos em suas imediações. O Centro de Eventos passou a ser um produto indispensável para a sobrevivência dos hotéis nas principais cidades do mundo e fundamental para a solução do problema da sazonalidade.
Muitos setores são levados, de forma parecida com os hotéis, a investir para expandir sua demanda, primeiramente para os habitantes locais e, em seguida, para os turistas. É o caso dos serviços bancários, serviços médicos, comércio em geral, postos de combustíveis, energia elétrica, comunicações e toda infra-estrutura básica presente em um destino. Todos estes serviços que servem para a comunidade e para os visitantes provaram de um expansivo aumento em sua oferta, garantindo o crescimento do turismo e dos eventos de uma forma segura e imparcial, pois os mesmos não servem somente para os visitantes, mas também e principalmente, para os moradores.
Serviços ao cliente não consistem apenas em satisfação física e pessoal, mas em deslumbre da mesma forma. O objetivo axiomático de um evento é encantar seu público, para que eles voltem sempre, divulguem os serviços prestados, sendo atendidos seus sonhos e superadas suas expectativas de forma positiva.
Apesar deste imenso potencial, é sabido que muitos pontos merecem atenção especial dos organizadores de eventos. Questões quanto a necessidade de continuidade e aperfeiçoamento do bom trabalho desempenhado, ocorrências negativas associadas à marca, riscos de falta de organização, riscos com relação à divulgação do evento são muito comuns e passíveis de ocorrer. Na tentativa de sanar esses deslizes, os organizadores e planejadores devem buscar um constante processo de avaliação, de forma que estes possam entender que a auto-avaliação requer muito senso critico, buscando entender o detalhes falhos do planejamento e promovam mecanismos, ferramentas administrativas que atuam junto as falhas identificadas.
A empresa que consegue chegar a este patamar estará sempre um passo à frente de seu cliente, realizando muitas vezes um sonho ou, proporcionando uma excelente experiência de viagem para o turista. Dessa forma, é preciso sempre agregar valor a tudo que norteia o mundo dos eventos. Além disso, as novas tendências de mercado apontam para a segmentação e personalização do setor de eventos, de modo que está é a real vantagem competitiva do mercado. Diferentes sonhos, desejos e motivações tornam o trabalho do organizador de eventos um desafio novo a cada acontecimento. Conhecer estes desejos e motivações, tentar supri-los e sempre oferecer mais do que se espera é um desafio hercúleo para o setor de eventos, que sempre deve ser empreendido com todo vigor e carinho por parte de seus organizadores, promotores e investidores em geral, pois trata-se daquilo que seu público deseja e quer de melhor.

TURISMO E MEIO AMBIENTE - Doutrina de curso


A paisagem não passou a existir após o nascimento do homem, ela já estava lá. Mas só quando o homem presta atenção na paisagem é que surge o seu conceito. A paisagem é o que se vê. O real, o vivido, o sentido diferentemente para cada ser humano. Estes elaboram seleções pessoais, julgamentos de valor de acordo com a análise individual da percepção. Essa análise sofre influências sociais, culturais, ambientais, emocionais conforme o tipo de uso da paisagem para cada pessoa. Sem dúvida nenhuma, é um elemento imprescindível e responsável pelo desenvolvimento e impulso da atividade turística. Não se procura com isso afirmar que a paisagem é o fator único que define sobre as decisões de uma pessoa que quer viajar. Existem outros fatores como os negócios, visita a amigos e familiares, tratamento de saúde que fazem as pessoas se deslocarem independentemente do que será visto.
O fomento da atividade turística nas paisagens, mais precisamente em áreas de proteção ambiental, constitui-se num trabalho muito delicado e meticuloso, envolvendo uma série de metodologias, princípios e práticas que são de domínio de diversas áreas do conhecimento humano, como biologia, geografia, história e turismo, além de diretrizes estabelecidas pelo governo local e regional. Os cuidados com as formas e os tipos de exploração dessas áreas requerem amparo cada vez mais especializado, pois, cada área reserva uma particularidade e especial atenção pelo seu diferencial. Não há um modelo de exploração único e especifico para as áreas de proteção ambiental; cada uma delas deve ser desenvolvida com o enfoque central voltado para a preservação de suas áreas naturais.
Entretanto, em diversas localidades onde o turismo já está sendo explorado, este tem sido apontado ainda como o grande responsável por degradações ambientais, sociais e culturais preocupantes. Percebeu-se, portanto, que, além dos impactos econômicos positivos até então supervalorizados, o turismo caso não seja devidamente planejado, também pode contribuir para acelerar processos de destruição dos ecossistemas locais, desigualdades sociais e aculturação entre os povos. Para que esses impactos negativos do turismo sejam minimizados e os positivos possam ser potencializados muitos autores têm apontado como solução o planejamento turístico sustentável aliado à educação ambiental e a educação ou sensibilização turística de todos os atores envolvidos no processo de desenvolvimento do turismo em uma localidade.
Desde a revolução industrial do século XIX que a sociedade passou a consumir mais bens e a gerar mais renda. As riquezas foram multiplicando-se à medida que novas tecnologias despontavam no mercado, trazendo mais comodidade, conforto e facilidades para a sociedade moderna. Novos produtos surgiram sempre com vias a atender o mercado crescente de consumidores ávidos por novidades as mais diversas. O crescimento do turismo, ainda que muito singelo, começa a ganhar expressão no cenário nacional e internacional. O novo fetiche da sociedade moderna remete-se às viagens pelo mundo, sempre a procura do exótico, do novo e do diferencial que ganhava força impulsionado pelo crescente aumento na renda per capita das regiões de forte potencial turístico. Todos desejavam ampliar seus horizontes com o turismo.
Na medida em que este desenvolvimento aumentava, também foram aumentando diversos pontos que não faziam parte do cenário turístico: as favelas, a ocupação de áreas de importância ambiental, o desmatamento de centenas de hectares de vegetação nativa, a poluição dos rios e das cidades, o aumento da criminalidade (uma das formas de se sobreviver nos grandes centros urbanos) e o crescimento dos índices de prostituição nas cidades, além de muitos outros problemas sociais que são inerentes a este crescimento da economia nos grandes centros.
Apesar disso os problemas mostraram que a sociedade deveria amadurecer para voltar a repensar nessas questões sociais que dia e noite esbarram a nossa frente. No tipo de crescimento que foi gerado em paralelo ao turismo e que não fazia parte dos planos de marketing nem dos projetos de fomento turístico dos governos dos estados e municípios. A verdade é que agora, após muito tempo de reflexão e de convivência com estes problemas, o sentimento é de reparar os danos cometidos no passado para que não se perpetuem neste “novo” modelo de sociedade preocupada com a sustentabilidade ambiental e, mais precisamente, do mercado turístico e com a idéia de desenvolvimento local.
De fato, sem retirar a gravidade de nenhum desses entraves apresentados como barreiras ao turismo, dentre eles o de maior força e que afeta diretamente ao setor turístico pode ser considerado como a poluição do meio ambiente. Nunca se discutiu tanto sobre a questão ambiental e nunca se promoveu tanto a consciência ecológica em qualquer outra atividade humana como no turismo. A poluição dos rios e dos mares, a devastação das matas, a extinção de animais nativos e as formas de como se explorar e trabalhar com o turismo em consonância com a natureza são os temas da atualidade de maior discussão, em livros, revistas, jornais, pelos governos e nas próprias universidades pelo mundo. A questão remete-nos a antecedentes muito antigos e que só agora as conseqüências pode ser sentidas pelas atuais gerações.
O problema é muito grave, atingindo uma magnitude global, chegando a ser um entrave para o desenvolvimento econômico e turístico mundial. O que se procura enfatizar nesta questão é que um problema ambiental de âmbito local pode ter sérias repercussões em nível global. De fato, é um desafio para a atual sociedade conviver com estes problemas e, ao mesmo tempo, manter uma atitude de conservação ao passo que explora de forma sustentável as oportunidades que dispõem.
Vale ressaltar que as questões ambientais não dizem respeito apenas à natureza e sua proteção como se costuma associar. Os problemas relacionados à fome e situação de miséria de populações também estão inseridos nas ditas questões ambientais e devem constar entre os principais temas a serem trabalhados através da Educação Ambiental, na busca de soluções e melhoria da qualidade de vida dessas comunidades. A aprovação da Política Nacional de Educação Ambiental (Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999) também representou um grande avanço na Legislação Brasileira no sentido de tentar viabilizar uma consciência ambiental dos cidadãos brasileiros e promoção de um desenvolvimento mais sustentável.
Exemplos que podem ser apresentados e que retratam essa viabilidade estão presentes em dezenas de cidades pelo mundo, inclusive no Brasil, e que se multiplicam diariamente por toda parte. Cidades como Mallet (PR), Guarujá (SP), Belo Horizonte (MG), Pureza e Cáceres (RN) são exemplos de como a ação pública aliada a vontade da comunidade desempenham papel fundamental na reconstrução do meio ambiente. A iniciativa dessas comunidades com o tratamento adequado do lixo são ícones representativos para o desenvolvimento e exploração sustentável do meio ambiente. Trabalhos desempenhados nessas cidades como reciclagem do lixo, coleta seletiva, educação ambiental nas escolas e a ação de reconhecimento e ajuda de órgãos federais como o Ministério do Turismo comprovam a preocupação com a questão ambiental e o apoio da sociedade, a qual se torna a maior beneficiada com as ações.
Qualquer forma de atividade acarretará impactos sobre o ambiente físico em que ela aconteça, e o meio ambiente está assumindo um lugar central no desenvolvimento do turismo. Não é possível estabelecer um paradigma generalizado de impacto ambiental, dada a imensa variedade de interações entre parâmetros ambientais e os ecossistemas, devendo ser levado em consideração a capacidade de carga em cada lugar.
O conceito de impactos e riscos ambientais surgiu nos Estados Unidos no final dos anos 60, criando assim o NEPA - National Environmental Policy Act - em primeiro de janeiro de 1970. No final de 70 a OECD (Organization for Economic Co-operation and Development) estabeleceu a base para o estudo da pressão criada pelas atividades turísticas, destacando quatro categorias principais: reestruturação ambiental permanente (grandes construções, como rodovias, aeroportos e resorts); geração de resíduos (resíduos biológicos e não biológicos que podem prejudicar a produção de peixe, criar riscos à saúde e diminuir a atratividade de uma destinação); pressão ambiental direta, causada pela atividade dos turistas (destruição de recifes de coral, vegetação, dunas e etc); e efeito na dinâmica populacional (migração, aumento na densidade urbana, acompanhado pela diminuição da população em outras áreas rurais).
Em 1992 a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizado no Rio de Janeiro, deu impulso a um processo de sustentabilidade pela natureza e pela sociedade em longo prazo, recebendo o nome de Agenda 21. O que tornou a Agenda 21 tão significativa, foi o fato de que ela representou a primeira ocasião em que um programa abrangente de ações governamentais foi adotado por 182 governos. A Agenda é baseada em uma estrutura de temas destinados a apresentar uma estratégia geral para dar à atividade global uma trajetória mais sustentável.
O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu no final do século XX, pela constatação de que o desenvolvimento econômico precisa levar em conta também o equilíbrio ecológico e a preservação da qualidade de vida das populações humanas a nível global. Isso implica, por exemplo, a gestão racional e equilibrada dos recursos minerais e ecológicos do planeta. A ideia de desenvolvimento sustentável tem por base o princípio de que o Homem deveria gastar os recursos naturais de acordo com a capacidade de renovação desses recursos, de modo a evitar o seu esgotamento. De acordo com o Relatório Brundtland de 1987, um documento das Nações Unidas, é o “desenvolvimento que atende as necessidades do presente sem prejudicar a capacidade das futuras gerações de atender as suas próprias necessidades”. Aproveitando este mote, é preciso buscar um desenvolvimento tal que possa ser agregado à utilização da paisagem e da natureza pelo turismo. Nesse ínterim, o conceito de capacidade de carga foi fundamental para o planejamento, a utilização e a conservação dos espaços naturais. Diz-se da capacidade de carga o nível tolerável de utilização de uma área, paisagem ou qualquer ambiente natural, mensurando sua utilização máxima pelos gestores turisticos e demais empresários do setor. É de extrema importância considerar que um número determinado de visitantes podem utilizar a mesma trilha durante um certo período de tempo; após isso, a trilha precisa ser desusada para que possa se recuperar dos impactos acarretados por aqueles visitantes. Da mesma maneira se aplica a qualquer tipo de empreendimento que envolva o meio ambiente, desde parques ecológicos considerados com APA’s (Áreas de Proteção Ambiental) até uma pequena trilha de acesso a uma praia distante.
O meio ambiente é um ingrediente fundamental do produto turístico, mas no momento em que a atividade turística acontece este ambiente é modificado. A preservação ambiental e os programas de melhoramento são agora fundamentais em muitas estratégias de desenvolvimento. Para analisar os impactos ambientais do turismo é necessário observar as seguintes questões: 1- Os impactos físicos criados pela atividade turística, comparados aos de outras atividades; 2- Quais eram as condições antes de acontecer à atividade turística, para obter uma linha de referência, a partir da qual se possam fazer comparações; 3- Um inventário de flora e fauna, juntamente com índice claro de níveis de tolerância para os tipos de impacto criados por diferentes formas de atividade turística.
O turismo apresenta possibilidades de aprimorar o meio ambiente, prover fundos para conservação, estabelecer limites sustentáveis de utilização e proteger atrações naturais, mas também de destruí-lo, caso não seja planejado e implementado de maneira organizada. Deve ser dito que o turismo não é o único agressor da natureza. Qualquer mutação econômica ou social pode provocar modificações na relação do homem com o ambiente físico.
Os impactos positivos estão associados à preservação e restauração de monumentos antigos, locais históricos e arqueológicos, que de outra forma podem ser degradados e até mesmo destruídos. Além desses destaca-se o incentivo à criação de parques de vidas selvagens, recreação ao ar livre e manutenção de florestas. Implantação de planos de melhoria ambiental para criar áreas naturais mais atrativas, desenvolvendo instalações turísticas bem projetadas, melhorando as paisagens naturais e construídas. O turismo favorece ainda a manutenção de um meio ambiente mais agradável, controlando a poluição no ar, água, problemas com o lixo, etc.
Entretanto há uma crescente preocupação quanto aos impactos negativos que o turismo pode ocasionar. Há diversos lugares que foram depredados devido à má exploração da atividade turística. Como exemplos temos: a Espanha, onde o excesso de acomodações para turistas em áreas costeiras causou poluição das águas; a Índia, onde os visitantes têm depredado o Taj Mahal e o Brasil, onde a diversidade de espécies existente nas florestas está sendo ameaçada, como pode ser constato por diversos autores como Doris Ruschmann (1997), Luzia Neide Coriolano (2001), Ana Valéria Endres (1999), entre outros.
Podemos observar os impactos negativos sobre a qualidade da água, nos casos em que o sistema de tratamento de esgoto não foi bem instalado nos equipamentos turísticos podendo poluir o lençol d’água subterrâneo. O lançamento da água de esgoto em um rio, sem que seja tratada de forma correta, também irá poluir suas águas.
O desenvolvimento do turismo pode provocar ainda poluição no ar, resultado do excesso de tráfego de veículos, além da poluição por poeiras e sujeiras no ar que pode ser gerada em áreas abertas e devastadas. Empreendimentos turísticos construídos de forma incorreta descaracterizam a arquitetura local comprometendo a estética do lugar. O excesso de pessoas, principalmente em atrações turísticas populares, aumenta o tráfego e a deterioração de monumentos antigos através de desgastes, vibrações e vandalismo em excesso. O aumento do lixo e o descuido com o lançamento de entulhos nas paisagens degradam as áreas turísticas. Estes resíduos afetam o meio ambiente e até mesmo a pesca e a caça, interferindo no ciclo ecológico do local. Os aumentos dos ruídos gerados pelo excesso de turistas também são exemplos de impactos negativos.
O que prejudica a ação no sentido de impedir estes danos ao ambiente é a deficiência dos atos legislativos, além do fato de que poucos planejadores fazem suas próprias avaliações ambientais. Após a implantação de um projeto, é muito mais difícil corrigi-lo do que durante o seu desenvolvimento. As avaliações de impactos ambientais devem ser adotadas, pois essa abordagem dá a possibilidade de juntar informações completas sobre a área que esta sendo explorada. Uma vez que as conseqüências ambientais são reconhecidas, estas informações podem ser incorporadas em todos os níveis de tomada de decisões. A adoção de uma consciência ambiental durante os processos de produção e consumo também poderá trazer benefícios econômicos e sociais em longo prazo.
São iniciativas como essa, aliadas à preocupação com a questão ambiental, que dão subsídios para que a exploração do turismo em diversas áreas do mundo possa acontecer, assegurado a sustentabilidade do meio ambiente e a consolidação do setor turístico não como usurpador dos recursos naturais e econômicos de uma região, mas, como agente facilitador da preservação ambiental e do surgimento de novas oportunidades de crescimento econômico, social e humano.


Turismo, os impactos sócio-ambientais e a sua sustentabilidade.

Ainda assim, é importante frisar que é necessário se pensar em políticas e planejamento estratégico para o desenvolvimento sustentável do turismo. Durante muitos anos a utilização dos recursos por diversos atores condenou qualquer movimento de preservação do patrimônio ambiental, condenando áreas naturais em grandes acres de pastagem e diminuindo a biodiversidade existe em cada região.
Atualmente, com a ampliação das discussões e dos debates concernentes ao desenvolvimento de diversas atividades econômicas, entre elas o turismo, nota-se que a questão tomou uma dimensão sui generis, o que motivou a amplitude da questão do tema “sustentabilidade” em diversos níveis específicos. Dentre os referidos níveis destacam-se alguns essenciais que são: Sustentabilidade para a atividade de turismo; ambiental; social; econômica; cultural; política e institucional.
O turismo enquanto atividade capaz de mobilizar outros 55 setores da economia busca incessantemente o seu eixo sustentável nas esferas onde está situado. Não basta que sua influência se faça sentir nos demais setores sem que todos possam atuar de maneira a manter o padrão de utilização aceitável, isto é, sem comprometer a manutenção para o futuro do recurso turístico da região. Assim é que se segue um complexo eixo dinâmico de significantes sustentáveis que precisam ser pensados juntos ao turismo, pois, sem o meio ambiente, a sociedade, a economia, a cultura, a política e suas instituições, não haverá meandros que possam garantir a manutenção dos eixos participativos e sistêmicos do turismo, nem tão pouco sua sobrevivência a médio e longo prazo.